Detalhes - Dissertação do PROFMAT
Aluno: MATEUS DA CUNHA SANTOS
FUFS - Universidade Federal de Sergipe - Itabaiana - SE
Dissertação
Título
Dificuldades Encontradas por Discentes da Educação Básica na Construção e Interpretação de Gráficos de Barras, Setores e Boxplot
Resumo
O trabalho tem por objetivo investigar as dificuldades encontradas por discentes da educação básica na construção e interpretação de gráficos de barras, setores e box-plot. Para atingir tal objetivo, utilizamos como fundamento teórico o Letramento Estatístico de Gal (2002), com foco nos elementos de conhecimento e disposicionais. A pesquisa é de caráter qualitativo e, para a coleta dos dados, elaboramos e aplicamos uma sequência de atividades com uma turma do ensino médio de uma escola estadual de Alagoas, na qual os alunos tiveram que calcular o Índice de Massa Corporal (IMC) dos colegas de classe, classificá-lo de acordo com as faixas estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e construir gráficos. A turma, num total de 29 alunos, foi dividida em quatro grupos, que compartilharam seus dados de peso e altura e, a partir destas informações, calcularam os IMC, as medidas de tendência central (média aritmética, moda e mediana), e também os demais quartis. Ao final da atividade, os alunos produziram gráficos de barras, gráficos de setores e box-plot. Esse processo permitiu que compreendessem, na prática, conceitos estatísticos fundamentais. No entanto, identificamos que houveram lacunas, tais como a construção da escala e a não associação do percentual das partes com a medida correta do ângulo central do círculo, no caso dos gráficos de barras e setores, respectivamente, apesar destas representações já serem conhecidas. Isso sugere uma dificuldade no entendimento da relação entre a parte e o todo, bem como na aplicação prática de conceitos matemáticos básicos, como a regra de três. Notase que os discentes tinham em mente possíveis interpretações para os dados coletados, tais como a prevalência de IMC dentro da classificação normal, contudo, não conseguiram construir corretamente tais gráficos. Quanto ao box-plot, gráfico menos familiar para os alunos, notou-se uma abordagem cuidadosa dos alunos, sem, contudo observar-se mais uma vez a proporcionalidade e a escala. Novamente os alunos possuíam a noção da distribuição dos dados e sua variabilidade, mas não conseguiram transpor isso em forma de representação gráfica, no caso, em forma de box-plot, trazendo apenas uma figura de caixa, com os bigodes, característico deste tipo de gráfico e os valores encontrados para os quartis, mas sem a proporcionalidade necessária para a devida construção. Já a atividade prática de calcular o IMC e trabalhar com dados reais dos próprios alunos parece ter aumentado o engajamento e a motivação dos grupos. A contextualização dos conceitos estatísticos com uma aplicação do cotidiano, como a saúde e o corpo humano, facilitou a compreensão dos conceitos abstratos. Em síntese, a pesquisa evidenciou que, embora os estudantes tenham demonstrado progresso na compreensão de conceitos estatísticos básicos, como medidas de tendência central, ainda há desafios significativos na construção e interpretação de gráficos estatísticos. Isso reforça a necessidade de abordagens pedagógicas que integrem teoria e prática de forma mais consistente, além de enfatizar a importância de atividades contextualizadas que promovam o letramento estatístico de maneira significativa para os estudantes.
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